Refinados Cavalheiros: Sexo, Humor e Cultura

MINHA EXPERIÊNCIA COM O SWING

MINHA EXPERIÊNCIA COM O SWING

Aconteceu em 94. Depois de mais de um ano de investidas frustradas, xavecos equivocados e flertes desajeitados, finalmente consegui namorar com ~ A GAROTA MAIS BONITA DA FACULDADE ~. Meu Deus, como ele era linda! A pele branquinha, de uma alvura quase translúcida, os olhos de um verde a um só tempo puro e malicioso, os cabelos de um castanho claro que estava a meio tom do loiro, as formas sinuosas, o riso abundante, os gestos comedidos…! Ah, aquilo sim, era mulher de verdade. E fazia com que eu, apesar da pouquíssima idade (tinha então 21 anos) me sentisse um homem. Era ainda inteligente, sensível, amava a música, a literatura e o teatro. E seu pai era rico. É, amigos…! Eu havia tirado a sorte grande. Por isso andava pairando pelo ar, com aquela felicidade perfeita que só é conhecida pelos imbecis e pelos jovens.

Proposta indecente

Um belo dia, ou melhor, noite, L. (digamos que o nome da moça começasse com essa letra) me convidou a uma festa, onde estaria sua melhor amiga, M., e o namorado (não lembro qual a letra dele, foda-se). Eu fui, na (quase) inocência dos meus 21 anos, achando que aquilo era mais uma festinha chata como tantas outras, cerveja quente, música ruim e cigarros artesanais. Cheguei lá e era isso mesmo. A princípio. Porque não demorou muito para que eu me encontrasse sentado com minha mina frente a frente ao outro casal, M. e o seu namorado. Esse sujeito, um garotão metido a boa pinta de brinquinho dourado, não tardou a puxar conversa, mas, evitando o papo furado comum a esse tipo de ocasião, enveredou logo por um assunto polêmico: “O que você faria se sua namorada transasse com outro cara? E ela, se soubesse que você transou com outra?” Achei a pergunta de mau gosto. Ainda mais porque minha namorada estava ali do meu lado, cáspita!, com mil tubarões! Fiquei branco. Depois vermelho. (Lembrem-se, jovens, isso foi num tempo mais inocente, em que algumas minas nem davam o cu, assunto que é hoje capa de quase toda edição de NOVA – tenham isso em mente, por favor). Pois bem. Fiquei branco, vermelho e roxo. E olhei para minha gata esperando encontrar em seu rosto uma reação igualmente chocada, indignada, talvez tão colorida quanto a minha. Mas não! Ela estava impassível. Como se já esperasse tal pergunta. Olhei pro cara de novo. Ele estava sério, mas nem um pouco constrangido. Percebi que M. (M. era a mina do cara, a minha era L.) e minha garota se entreolhavam, cúmplices. Eu mal conseguia me concentrar para dar alguma resposta, meu coração era uma tempestade. Mas voz do garotão soou em meio à tormenta dizendo: “A gente conversou com a L., sabe, ela está a fim de ter experiências novas; a M. e eu já saímos com alguns casais amigos, foi muito bacana e…” Olhei de novo para L., que baixou um pouco os olhos, pela primeira vez, meio encabulada. Então percebi o que estava acontecendo (sou muito inteligente). Aquilo não era uma conversinha casual nem ele um mero Joselito sem noção ou traquejo social. Não! Aquilo era uma SONDAGEM. Era evidente que eles já haviam conversado entre si previamente e estavam avaliando minha reação pra ver se eu topava um swing. Fiquei trêmulo de ódio. Senti um abismo se abrindo debaixo dos meus pés. Como ousavam me propor coisa tão nojenta e perversa? Eu o interrompi. Minha voz veio do âmago do meu ser, indignação honesta e límpida, como um relâmpago cortando a sala:

– Cara, vocês estão me propondo isso que estou pensando?
– É – tremeu o garotão, parecendo um garotinho – Por que a gente não faz uma troca?
– HAHAHA! Eu comecei a rir como um demônio enlouquecido, as pessoas que estavam à minha volta naquela festinha idiota pararam todas para olhar pra minha cara. Mas isso não importava. Eu era um homem ofendido, ultrajado, eu podia tudo, eu tinha esse direito! Por isso bradei o mais alto que pude:
– HAHAHA!! Mas neeeeem f*dendo!! Minha mulher é MUITO mais gostosa que a sua, SEU BABACA!! HAHAHAHA!!

De fato, ela era.

E esta, meus amigos, foi minha primeira e última experiência com o ~SWING ~ -> *troca de casais*

Moral da história

O swing é uma prática moralmente repulsiva e higienicamente duvidosa. Mas caso você se sinta tentado a entra nessa com sua gata/gato, lembre-se: assim como no lanche da escola você não trocava seu sanduíche de presunto com queijo por um mero pão com manteiga, também no swing você não vai fazer papel de otário. Até a próxima!

Dúvidas sobre sexo? Acesse:

Consultório Sexual

Luiz Marcondes
Publicitário, escritor e editor do site Refinados Cavalheiros.

Um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *